Acabei de trocar de rádio e a música dela começou a tocar. Um ritmo inconfundível. Calmo na maior parte do tempo e agitado de uma forma inesperada que é pra surpreender qualquer um. Se eu fosse descrevê-la eu usaria o ritmo dessa música: "Calma na maior parte do tempo e agitada de uma forma inesperada que é para surpreender". Mas, ela dita um ritmo que se perdeu. Quando é que você se perdeu assim, menina? Me diga com sinceridade, não me venha classificar como história de amor ou abandono porque sei que vai além disso. Ela deixou de tentar faz tempo. De tentar, de se importar. Abandonou o barco, o bote, abriu as asas e resolveu voar sozinha. Muita coragem, eu diria.
Em alguns meados atrás proferia com todas as letras que tinha absoluta certeza do que queria. Ah, coitada... Ninguém tem absoluta certeza de nada nessa vida, ainda mais quando se tem vinte e poucos anos. Se sou digna de lhe dar algum conselho que aprendi com meus poucos anos de vida seria a respeito disso, tudo é efêmero, tudo é passageiro. Acredite se quiser. Eu não acreditei. Nem ela... Ela lutou até o último instante, mas chegou a lugar nenhum até constatar que: tudo é passageiro, tudo é efêmero. E você passou! Longe dela querer desistir, ela queria mesmo era mostrar pra toda gente aquele amor guardado no peito disfarçado que ninguém conseguia ver. Mas como eu disse, desistiu. É engrado como o amor se torna angustiante quando ele é só nosso.
Depois de constatar o óbvio, fez todo aquele show de mulher carente que era, abraçou a causa do quarto escuro e das músicas melancólicas e se lamentou o tempo de algumas lágrimas. Ponto! Mulheres geralmente tem esse dom de transformar paixão em dor e dor em calmaria. Graças a Deus! Foi o tempo necessário para sua playlist tocar uma vez inteira e logo ela ouvir novamente aquela canção "calma na maior parte do tempo e agitada de uma forma inesperada". Foi isso. Se agitou. Se agitou e surpreendeu. Agora ela é outra, ela é nova e não há quem a faça dançar um ritmo diferente.
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