Bom, queria começar esclarecendo que não vim ao psicólogo porque tenho problemas mentais não. Ou tenho e não sei... Quem sabe. Mas vim porque queria alguem para conversar, e me sinto muito mais confortável pagando alguém por isso. Amigos? Tenho amigos mas eles são sortudos o suficiente para arrumarem esses amores de propaganda de margarina. Poderia ser minha mãe minha confidente, mas, ela não merecia depois de um dia de trabalho minhas lamentações e paixonites agudas. Pensei em procurar um padre, mas ele me acusaria em alguns momentos, então... Senhor psicólogo, peço por favor que não me interrompa e me deixe lhe dizer tudo.
Tive um grande amor (ou ainda tenho), mas é que assim, antes ele era meu pensamento diário, desde a hora de acordar até a hora de dormir, um ciclo sem intervalos, sabe?! Até que eu comecei a colocar outros assuntos na frente dele. É difícil demais, vou te confessar, porque poxa vida, tem sempre alguém com alguma notícia, alguma novidade, algum desastre, e eu sempre estou por perto para ouvir. Não sei se fazem de pirraça ou é pura ingenuidade mesmo mas a verdade é que eu não queria saber sempre dele. Ele tá bem, não tá? Isso já me conforta, desconforta, já basta, dá um certo sossego e desespero...
Mas, é isso aí, tô viva, tô legal na maior parte do tempo, e sinceramente, acho que estar bem, estar feliz é questão de vontade, não tem nada haver com jogo de sorte e azar. Então, estou bem! Tô saindo pra caramba, me divertindo e tal... Sim, estou muito bem. Enfim, até então você que só me ouve deve estar pensando que realmente eu possa estar louca de ter vindo aqui gabar minha vida super controlada e feliz, mas a verdade é que mesmo com tudo isso eu não paro de pensar nele, e eu gostaria de saber se agora, ou num futuro próximo a ciência possa vir a resolver meu problema? Será que tem algum antítodo contra essa paixonite, Doutor?! Não, né? É, acho que não tem jeito mesmo... Tô ficando sem solução. Mas tudo bem, Doutor, como eu disse eu tô bem, tô feliz e eu não acho ruim pensar nele não. Mesmo morrendo de saudade, mesmo sonhando com teu sorriso, mesmo me escondendo tanto é ele que me tira belos sorrisos. Entende?! Não?? É, Doutor, se nem você que estudou tanto para entender as pessoas entende de desilusões amorosas eu devo ficar sem solução mesmo. Se eu conseguir me resolver eu volto e te conto, ou então até mês que vem se eu precisar de tarja-preta.
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