quarta-feira, 30 de maio de 2012

O meu século XXI.

Dia 30 de Maio:
Sou antagônica sim, venho descobrindo isso por diversos motivos. Me vi gostando tanto do sol, mas me irritei profundamente quando ele estava muito forte queimando a minha cabeça, nessa hora senti uma imensa saudade daquela blusa de frio que ganhei no inverno passado me deixando quentinha ouvindo a chuva cair do lado de fora. Tempos atrás sentia pavor só de pensar em festas e imaginar aquele monte de gente no estilo robô, vestido igual que dança igualzinho, falando as mesma coisas, pensando as mesmas besteirinhas, formando uma massa pastosa que escorre por entre toda a sociedade modificando e moldando o que vê pela frente, mas daí me peguei logo em seguida querendo esquecer todo o meu lado politicamente correto e pseudo culto só para me juntar áquele monte de gente igual para poder dançar igual, vestir igual e falar igual a elas. Meu sonho de mudar o mundo voltado para a educação, saúde e todas essas coisas que todos nós achamos que conhecemos assuídamente se vai por água abaixo quando eu assumo ser uma consumista com letras maiúsculas. Me alegro de poder ter o que eu quero depois de um mês de trabalho, e me faço um discurso em frente ao espelho me provando o quanto eu mereço tudo aquilo -mesmo sabendo que muitas vezes é desnecessário- conseguindo me driblar -algumas vezes- diminuindo minha culpa. Adoro ler. E isso me supre um pouco enchendo meu lado pseudo culto que eu tento passar. Só não deixo as pessoas descobrirem que me rendo a romances e que tenho paixões platônicas nesse meio. Ninguém me segura junto com Agatha Christie e suas coleções. Comecei a assumir que leio auto-ajuda não faz muito tempo, mas defendo largamente a ideia de que felicidade não se ensina, muito menos se vende em formulas mágicas. Mas as vezes me pego lendo meu horóscopo e tudo, mais uma vez, se vai água abaixo. Amo de paixão O Teatro Mágico, Nenhum de Nós, Nando Reis e viajo em cada significado que eles conseguem me passar mesmo que longes um do outro. Mas pego por diversas vezes querendo ouvir alguns batidões vazios e sem sentindo algum. De vez enquando é bom não pensar, não escutar, não admirar e só dançar. Me liberto inúmeras vezes. Sou gêmeos, troco de humores como quem troca de roupa. Mas não me vejo mal educada, meu humor não tem nada haver com as pessoas, tem haver comigo e ninguém vai levar soco meu por isso. Acho um absurdo as guerras atuais e as antigas, mas adoro ler sobre elas e me sentir no meio de cada uma. Sinto vontades absurdas de mudar do meu país quando estou em algum bar bebendo ou nas festas me divertido vendo hipocrisias, mas dentro do meu quarto ou no parque da esquina vejo o quanto sou apaixonada pela natureza daqui e por tudo - não que seja muito, nem muito pouco- que minha cidade de certa forma me proporciona. As vezes dói pensar em estar sozinha, mas outras vezes sinto pavor em ver conhecidos na rua e ter que parar. Daria tudo para estar do outro lado da rua ouvindo música de óculos escuros... Ah, essas manias... Por essas e outras, muitas outras, eu me acho bem antagônica e insuportavemente igualzinha a todas as outras pessoas que dançam igual, falam igual e se vestem igual nesse meu século XXI.

Um comentário:

Andreza Faria disse...

Ah não linda, eu sou sua fã, que texto mais perfeito!